UM SOLIDÁRIO SOLITÁRIO

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A maioria dos Cuidadores Informais largam seus empregos, perdem sua qualidade de vida em prol do ente querido. A renúncia é notória quando se percebe que o mundo que tinham, vai se distanciando da realidade que agora eles precisam encarar e se adequar. De repente eles olham a sua volta e há somente dois personagens nesta história em que eles se propôs ser o protagonista. Tarde demais para recusar o script, seu papel é único, ali viverá noites plenas de dor, angustias, impotência, mas feliz de início, por abrir mão de seus sonhos em prol do progenitor(a)…

.. Com o passar do tempo, noites insones ele vai reparando que pelo jeito ninguém aparecerá para assistir o espetáculo, ou ao menos ajudar a organizar o palco… Em vão esta expectativa de milhares de cuidadores, depois que entram em cena encontrar substituto, é algo quase impossível. Vez por outra eles param diante do cenário, a pergunta é certa: Cadê os outros componentes da peça?

O vazio, a tristeza os apossam…

Cadê todo mundo?

Ele vê que a cada dia a impotência tem cadeira cativa em sua casa e se sente culpado por não dar conta de mudar a situação… O medo, a culpa, o desespero falam mais alto, esquecendo se que a melhor parte ele fez, assumiu algo que nenhum dos demais assumiram, tomou a frente de uma empreitada que nem todos estão preparados, desceu para um campo de batalha onde milhões decidiram ficar nas arquibancadas… 

Ali, apenas assistindo o espetáculo, uns torcendo para que tudo dê certo pois assim ele não precisará fazer parte do elenco, outros só esperando a bancarrota para tirar da manga a carta guardada a anos. 

 Assim o tempo passa, um dia sorri, um dia chora e os dias passam indiferentes as dores, aos cansaços e não é diferente para quem vez por outra, aparece para assistir a peça. 

A única mudança que pode ser feita perante isto é quando assumimos um papel mais brando, delegamos tarefas, por mais que os scripts não sejam o mesmo, mas precisamos tomar uma atitude em relação a nós mesmo, principalmente nos cuidar, nos fortalecer, parar de nos culpar, parar de exigir respostas onde não há perguntas… 

Parar… Parar por completo tendo a certeza do dever cumprido, saber que não havia outro para fazer tudo que fizestes ou fazes, acordar para a vida, se amar para que o outro se sinta bem, afinal, não se preocupe, continue cuidado como cuidas do outro e aprenda a se cuidar como tal, pois não somos nós que encerramos o espetáculo, ele só se encerra quando Deus fecha as cortinas.

Berna Almeida

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