SAÚDE BUCAL EM PESSOAS COM DEMÊNCIAS

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Em portadores da doença de Alzheimer ou qualquer demência, é muito importante a atenção com a saúde bucal porque é onde pode provocar outras doenças sistêmicas como hipertensão, diabetes, artrite reumatoide, problemas cardíacos e outros. As infecções provocadas por descuidos de higiene e pequenos ferimentos, podem levar a infecções que se espalham e provocam outros problemas.
A Pneumonia Aspiratória é quando o paciente com demência perde autonomia na deglutição e higienização, agrava devido as condições funcionais, podendo levar a Pneumonia, que aumenta o fator de risco e até de morte.
O paciente geralmente não coopera para o atendimento odontológico e à higienização.
A SABURRA LINGUAL – placa branca na língua, principalmente nas partes posteriores.
Os cuidados devem ser de responsabilidade do cuidador pela limpeza, para não acometer GENGIVITE CANDIDÍASE que é o sangue gengival. A higienização deve ser feita com uso correto de antisséptico bucal.
Para melhorar a diminuição do suco salivar que causa a boca seca (Xerostomia), devido ao uso de muitos medicamentos, oferecer muita água ao paciente e fazer a hidratação labial com bochechos de água, não use vaselina nos lábios.
O Cuidador deverá usar, diariamente, para a correta higienização bucal, os facilitadores de ferramentas: o Spandex ( abridor de boca), escova apropriada , gaze e espátula.
Para a limpeza na parte interna da bochecha, língua e palato, não colocar a mão dentro da boca do paciente, mesmo que esteja com as luvas de látex descartáveis. Usa-se a gaze com uma espátula para a região posterior da boca.
A dieta deve ser mais pastosa em casos mais avançados da doença. As próteses não são recomendadas para esses pacientes, o que facilitará a higienização bucal. Próteses antigas podem causar iatrogenias (infecções) por serem mal adaptadas e os cuidadores não conseguem retirar para limpeza, o que leva a focos de bactérias causando as infecções.
Os movimentos para a escovação devem ser com a escova inclinada, fazendo movimentos rotatórios e de varrer. Trocar a escova quando desgastar, porém tem que ser uma escova que não sangre a gengiva. Se preferir usar a elétrica veja se o portador aceita bem.
Não se deve esquecer de usar o fio dental para limpar entre os dentes. Nesse caso, o cuidador tem que ficar atrás do paciente, apoia a cabeça dele e faz a limpeza. Use também o limpador de língua, pois a língua suja provoca falta de saliva e boca seca.
Se o doente não cooperar faça a escovação e a higienização no banho. Para finalizar use os enxaguatórios, mas verifique se o doente sabe fazer bochechos e jogar fora porque não pode engolir. Se não conseguir, não use.
Se tiver pontes fixas é mais difícil a escovação e se for ponte móvel tem que escovar os ganchinhos.
Deve-se retirar a dentadura para escovar, toda vez que o portador se alimentar. Existem escovas de pelos especiais para dentadura e dar atenção para a parte de dentro da dentadura, na hora da limpeza. Importante lembrar que detergentes para dentadura não substituem a escovação. Nunca deixa a dentadura cair no chão, pois pode provocar pequenas quebraduras que podem machuca a boca. Se cair, comunique ao dentista do portador.
Pode acontecer também de precisar fazer extrações, em casos onde não se tem mais como cuidar devido ao péssimo estado de conservação dos dentes ou quando o paciente não tolera o tratamento.
Na maioria das vezes, quando o atendimento é domiciliar, o profissional não terá a ergonomia correta pata o tratamento, mas é preciso dar preferência ao conforto do paciente. O acúmulo de tártaro também pode ser feito domiciliar, bem como restaurações dentárias.
Pode-se ter até intervenções cirúrgicas domiciliar para remoção de focos infecciosos com a participação do médico do paciente que autoriza e recomenda a cirurgia. São consultas mais demoradas e o profissional deverá estar com a agenda disponível nesses casos, pois poderá ter algum imprevisto.
O cuidador deve verificar também se, quando o paciente tomar um medicamento se realmente engoliu o comprimido, pois se ficar na boca pode machucar e dependendo da composição pode até queimar a mucosa da boca.
Doenças de lesões de mucosas nas bochechas ou gengivite causam retração na gengiva e é comum ter cárie na raiz do dente, por dentro no osso, e essas bactérias podem provocar demências.
Doença Periodontal – Inflamação crônica e indolor do tecido que envolve o dente, que vai soltando, inflama e perde o dente. A maioria dos idosos usam dentaduras e só podem ser trocadas na fase inicial da doença de Alzheimer.
Candidíase – começa na mucosa da boca passa para o estômago, intestino e chega ao ânus.
Xerostomia ou boca seca é causada pela falta de saliva que é uma secreção protetora, lubrificante, antibactericida, que ajuda a digestão.
A falta de saliva leva a doenças periodontal, estomatite protética, língua saburrosa e aumento de cáries. Deve-se oferecer ao doente, muita água, incentivar uma mastigação mais demorada e não oferecer comida muito pastosa para que ele possa exercitar a mastigação. Não ofereça chás, pois são ácidos e prejudica para quem não tem saliva. Use também protetor labial, pois a falta da saliva também resseca os lábios.
Existe saliva artificial que é um gel umidificante na forma de spray que alivia o sintoma. Use com indicação do dentista.
REFERÊNCIAS
* Alexandre Franco Miranda – Odontogeriatra

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