Pare de gritar comigo, não sou surdo(a)

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Você já se imaginou com seu cérebro se decompondo a cada dia, e você sem entender absolutamente nada?Dirigia, agora se perde no transito, ia as compras, agora não pode ir mais sozinha.

Onde vai, tem que ir alguém atrás.

Cartão do banco, tomaram…

Só se escuta o disse me disse nos cantos da casa, outros chorando.

Ninguém explica nada, só olham com o olho cumprido de pena.

Defecando no meio da sala? Quem eu? Não você, isso mesmo, você.

Você não tem ideia de como sua cabeça fica, quando vai entardecendo, a agonia, a angústia, a vontade de ir embora se apossa…

Acabou o sossego…

E as perguntas que não cessam, pergunta uma coisa agora, passa um minuto, começa tudo novamente.E a noite, pensa que dorme… Nunca… É perambulando para lá e para cá, chamando quem já se foi, há séculos.

E quando cisma de que quer ver mamãe, papai? Haja viu!!!Aí a coisa fica mais séria ainda, suas tentativas de fuga e quer porque quer, voltar para casa porque aqui não se conhece ninguém. Hummm… Vamos tomar banho?

Vixi, é a mesma coisa que chamar para briga.

Que raio de fralda?

Quando foi que precisei de fraldas.

É, acabou o sossego da família

Quer que eu continue? Não,né?

Então pára de gritar porque seu ente querido está lá no extremo norte, há milhares distância de você, e ele não está entendendo bulhufas do que está acontecendo ao seu redor.

Berna Almeida.

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