Nada é nosso!

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Quando recebemos a convocação para cuidarmos de alguém, muitas das vezes aceitamos a tarefa no intuito de salvar o outro, acreditamos que possuímos as ferramentas necessárias para que a vida do outro tome um novo sentido.

Com o passar do tempo, cabide da vida e nos entregamos de corpo e alma ao outro. A partir daí já não existe mais o Eu, e sim o outro. Ele passa a ser o oxigênio, é por ele que vivemos, é por ele que colocamos os pés no chão, é por ele que abrimos os olhos, é por ele que abrimos mão de tu aquilo que fomos em toda nossa existência.

Literalmente nos fechamos dentro de uma mala em uma uma esquina qualquer da vida, abrimos mão daquilo que fomos e somos e partimos em busca do medicamento que salvará a vida do outro.Em meio a esperança de salvar o outro nos tornamos pacientes, tanto quanto, porque a busca da cura é solitária, desgastante, repleta de incógnitas, não conhecemos os inimigos, e a luta se trava.

Do outro lado, o outro luta desesperadamente sem entender as razões por estar aprisionado por uma doença, do lado de cá mais desespero por não entender a razão pela qual seu cilindro de oxigênio está esvaziando.Nessa guerra pela salvação do outro já não se sabe mais quem está cuidando de quem, dois personagens perecem em meio a uma incógnita mental.Quem vai salvar quem?Ninguém salva ninguém, ninguém é o meu ou o seu oxigênio, nada é nosso, tudo nos é emprestado, e chega um dia que precisamos devolver.Quando trabalhamos estas questões, quando aceitamos que a vida é breve e que apenas temos que dar o melhor a todos que nos cercam, as crises existenciais não apoderam nossas mentes.A vida é isto, ajudar , servir, cuidar do outro, é apenas para isto que somos convocados, não temos condições de curar quem quer que seja e se houvesse, teríamos que tratar primeiramente de nós para depois cuidar do outro.Precisamos nos ater ao fato de que o outro partiu mas nós ficamos e precisamos dar continuidade as nossas vidas, precisamos voltar onde nos deixamos pendurados em um cabide, onde deixamos nossa mala na esquina da vida e nos retomar, nos receber com carinho, nos aceitar com amor, sabendo que tudo que precisava para acudir o outro, foi feito mas agora ele precisou partir, bater as asas em outras campinas e você precisa continuar, cuidar de si, dos filhos, dos amigos, cuidar da vida, da saúde,m cuidar de outras pessoas que também precisam de você.Precisamos dar continuidade da melhor forma da vida e não há melhor forma do que se amar e agradecer por ser e ter sido tão importante na vida de alguém.

Autoria: Berna Almeida

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