Fibromialgia

2
234

A fibromialgia é caracterizada por sono inadequado, fadiga, névoa mental, dor e rigidez generalizada nos tecidos moles, incluindo músculos, tendões e ligamentos.

  • Sono inadequado, estresse, distensões, lesões e, possivelmente, certas características da personalidade podem aumentar o risco da fibromialgia.
  • A dor é generalizada e algumas partes do corpo ficam sensíveis ao toque.
  • O diagnóstico de fibromialgia se baseia em critérios e sintomas definidos como dor generalizada e fadiga.
  • Melhorar a qualidade do sono, tomar analgésicos, praticar exercícios, compressas quentes e massagens podem ajudar.

A doença pode ser chamada de síndrome de fibrosite ou fibromiosite. Porém, como a inflamação (indicada pelo sufixo “ite”) não está presente, o sufixo é descartado e o nome se torna fibromialgia.

Fibromialgia é comum. Ela é cerca de sete vezes mais comum em mulheres. Ela geralmente ocorre em mulheres jovens ou de meia-idade, mas também pode ocorrer em homens, crianças e adolescentes.

A fibromialgia não é perigosa nem representa risco à vida. No entanto, os sintomas persistentes podem ser muito perturbadores.

Causas

Pessoas com fibromialgia parecem ter uma sensibilidade maior à dor. Isto é, as áreas do cérebro que processam a dor interpretam as sensações dolorosas com maior intensidade do que pessoas que não têm fibromialgia. A causa da fibromialgia geralmente é desconhecida. Porém, certos quadros clínicos podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Eles incluem sono de má qualidade, entorses repetidas ou uma lesão. O estresse mental também pode contribuir. Porém, o estresse em si pode não ser o problema. A forma como as pessoas reagem ao estresse parece ser mais relevante.

Algumas pessoas afetadas também podem ter um distúrbio do tecido conjuntivo, como artrite reumatoide ou lúpus eritematoso sistêmico (lúpus). Em alguns casos, uma infecção viral ou outra (como a doença de Lyme) ou um evento traumático podem desencadear a fibromialgia.

Sintomas

A maioria das pessoas sentem rigidez, dor e desconforto generalizados. Os sintomas podem ocorrer por todo o corpo. Qualquer tecido mole (músculos, tendões e ligamentos) pode ser afetado. Entretanto, os tecidos moles do pescoço, região superior do ombro, tórax, caixa torácica, região lombar, coxas, braços e áreas ao redor de algumas articulações são especialmente suscetíveis a ficarem doloridos. Menos frequentemente, a parte inferior das pernas, mãos e pés ficam doloridos e rígidos. Os sintomas podem ocorrer periodicamente (em crises) ou a maior parte do tempo (cronicamente).

A dor pode ser intensa. Geralmente, ela piora quando há fadiga, estresse ou uso excessivo. Frequentemente, algumas áreas específicas do músculo são sensíveis quando é aplicada uma pressão firme de um dedo sobre a região. Essas áreas são chamadas pontos sensíveis. Durante as crises, os músculos podem ficar rígidos ou podem ocorrer espasmos.

Muitas pessoas afetadas não dormem bem e se sentem ansiosas e, às vezes, deprimidas ou tensas. Fadiga é comum, assim como problemas mentais como dificuldade de concentração e uma sensação geral de névoa mental. Muitas pessoas afetadas são perfeccionistas ou têm personalidade tipo A. Elas também podem ter enxaqueca ou dor de cabeça tensional, cistite intersticial (um tipo de inflamação da bexiga que causa dor ao urinar) e síndrome do intestino irritável (com uma combinação de constipação, diarreia, desconforto e distensão abdominal). As pessoas podem apresentar sensações de formigamento, normalmente dos dois lados do corpo.

Os mesmos quadros clínicos que podem contribuir para o desenvolvimento da fibromialgia também podem fazer os sintomas piorarem. Eles incluem estresse emocional, sono inadequado, lesão e fadiga. O medo de que os sintomas representem uma doença grave também pode agravá-los. Ouvir um médico, parente ou amigo insinuar que o problema está “todo na cabeça” também pode piorar os sintomas. As pessoas podem se sentir frustradas porque frequentemente lhes dizem que “estão ótimas” embora não se sintam bem.

Diagnóstico

  • Critérios estabelecidos
  • Exames e testes médicos para excluir outras doenças

Médicos suspeitam de fibromialgia em pessoas apresentando o seguinte:

  • Dor e sensibilidade generalizada
  • Resultados negativos de testes laboratoriais a despeito de sintomas generalizados
  • Fadiga como sintoma principal

Os médicos consideram o diagnóstico de fibromialgia em pessoas com dor generalizada por, pelo menos, três meses, particularmente quando estiver acompanhada de diversos outros sintomas físicos, como fadiga. A dor é considerada generalizada quando as pessoas sentem dor do lado direito e esquerdo do corpo, acima e abaixo da cintura, e na parte superior da coluna, parede torácica ou meio da coluna ou região lombar.

No passado, os médicos baseavam o diagnóstico parcialmente na presença de sensibilidade em alguns dos 18 pontos sensíveis designados. Atualmente, no entanto, o número de pontos sensíveis não é considerado tão importante quanto a presença de sintomas típicos, especialmente dor generalizada.

Os médicos querem se certificar de que outra doença (como o hipotireoidismo, polimialgia reumática ou outra doença muscular) não esteja causando os sintomas, frequentemente por meio de exames de sangue. Mas nenhum exame pode confirmar o diagnóstico da fibromialgia.

A fibromialgia pode não ser facilmente reconhecida em pessoas que também tenham artrite reumatoide ou lúpus, pois essas doenças apresentam sintomas similares, como fadiga e dor nos músculos, articulações ou ambos.

Prognóstico

A fibromialgia tende a ser crônica, mas pode se resolver espontaneamente se o estresse diminuir. Mesmo com o tratamento apropriado, a maioria das pessoas continua apresentando sintomas em certo grau.

Tratamento

  • Alongamento, tratamento com calor e massagem
  • Manejo do stress
  • Medicamentos para melhorar o sono
  • Medicamentos para alívio da dor

As pessoas sentem-se melhor quando recebem tratamento adequado. Geralmente, a abordagem mais útil inclui o seguinte:

  • Reduzir o estresse, incluindo o reconhecimento de que não há nenhuma doença subjacente que represente risco à vida causando a dor
  • Exercícios com respiração profunda, meditação, terapia cognitiva baseada em mindfulness (mindfulness-based cognitive therapy, MBCT), apoio à saúde mental e, se necessário, aconselhamento
  • Alongar os músculos afetados suavemente (mantendo os alongamentos por 30 segundos e repetindo o processo cinco vezes)
  • Fazer exercícios para melhorar o condicionamento físico (exercícios aeróbicos) e aumentar sua intensidade muito gradualmente (por exemplo, exercícios na esteira, bicicleta ergométrica ou máquina elíptica ou com natação)
  • Aplicar compressa quente ou massagear suavemente a área afetada
  • Manter a região aquecida
  • Dormir o tempo necessário

Melhora do sono

Melhorar o sono é essencial. Por exemplo, as pessoas devem evitar cafeína e outros estimulantes durante a noite e precisam dormir em um ambiente tranquilo e escuro em uma cama confortável. Elas não devem comer ou assistir à televisão na cama.

Os médicos podem receitar doses baixas de antidepressivos tricíclicos. Esses medicamentos são tomados uma ou duas horas antes de a pessoa se deitar para dormir e são utilizados apenas para melhorar o sono, não para diminuir a depressão. Eles incluem trazodona, amitriptilina e nortriptilina. A ciclobenzaprina, um relaxante muscular, também pode facilitar o sono. Como os antidepressivos tricíclicos, a ciclobenzaprina é tomada apenas antes de a pessoa deitar-se para dormir. Esses medicamentos geralmente são mais seguros do que sedativos, cuja maioria pode causar dependência. No entanto, os antidepressivos tricíclicos e a ciclobenzaprina podem causar efeitos colaterais, como sonolência e boca seca, especialmente em pessoas idosas. Tomar esses medicamentos fora do horário pode resultar em sonolência no período diurno.

Alívio da dor

Analgésicos, como paracetamol, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) ou, ocasionalmente, tramadol podem ajudar. No tratamento da fibromialgia, opioides, que podem causar dependência e ficar menos eficientes com o tempo, devem ser evitados.

Pregabalina (um anticonvulsivo utilizado para aliviar a dor em algumas situações), duloxetina e milnaciprana são utilizados em alguns casos para tratar a fibromialgia. Esses medicamentos podem ajudar quando tomados como parte de um programa de tratamento que inclui melhora do sono, exercícios e controle de estresse.

Ocasionalmente, anestésicos locais (como a lidocaína) são injetados diretamente em uma área sensível específica, mas essas injeções não devem ser utilizadas repetidamente.

Por Joseph J. Biundo

MD, Tulane Medical Center

2 COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui