Demência Vascular

0
228

A demência vascular é a perda da função mental devido à destruição do tecido cerebral, pois seu suprimento de sangue está reduzido ou bloqueado. Geralmente a causa são acidentes vasculares cerebrais, sejam poucos derrames grandes ou muitos pequenos.
As doenças que danificam os vasos sanguíneos no cérebro, geralmente acidentes vasculares cerebrais, podem causar demência.
Os sintomas podem ocorrer em fases, e não de forma gradual.
A demência em pessoas que apresentam fatores de risco ou sintomas de um acidente vascular cerebral é frequentemente a demência vascular.
A eliminação dos fatores de risco para acidentes vasculares cerebrais pode ajudar a retardar ou evitar danos maiores.
A demência vascular é a segunda causa mais comum de demência entre os idosos.

A demência é uma diminuição, lenta e progressiva, da função mental, que afeta a memória, o pensamento, o juízo e a capacidade para aprender. A demência difere do delirium, que é caracterizado por uma incapacidade de prestar atenção, desorientação, incapacidade de pensar com clareza e flutuações do nível de alerta.

A demência afeta principalmente a memória e o delirium afeta principalmente a atenção.
A demência normalmente apresenta início gradual e não um início definitivo. O delirium inicia-se repentinamente e frequentemente apresenta um início definitivo.
Uma série de acidentes vasculares cerebrais pode resultar na demência vascular. Esses acidentes vasculares cerebrais são mais comuns entre os homens e geralmente começam depois dos 70 anos.
Os fatores de risco para a demência vascular incluem:

Ter hipertensão arterial
Ter diabetes
Ter aterosclerose
Ter fibrilação atrial, um tipo de ritmo cardíaco irregular
Ter altos níveis de gorduras (lipídios), incluindo o colesterol
Fumar (atualmente ou no passado)
Ter sofrido um acidente vascular cerebral
Pressão sanguínea alta, diabetes e aterosclerose danificam os vasos sanguíneos no cérebro. A fibrilação atrial aumenta o risco de acidentes vasculares cerebrais devido a coágulos sanguíneos do coração. As doenças que causam coagulação excessiva também aumentam o risco de acidente vascular cerebral. Ao contrário de outros tipos de demência, a demência vascular pode ser prevenida através da correção ou eliminação de fatores de risco de acidentes vasculares cerebrais.
Coágulos: Causas do acidente vascular cerebral isquêmico
Os acidentes vasculares cerebrais podem destruir o tecido do cérebro, bloqueando o fornecimento de sangue a determinadas partes do cérebro. Uma área de tecido cerebral destruída é chamada de infarto.

A demência pode resultar de grandes acidentes vasculares cerebrais ou, mais comumente, de muitos pequenos. Alguns desses acidentes vasculares cerebrais parecem menores ou podem até mesmo não ser notados. No entanto, as pessoas podem continuar a ter pequenos acidentes vasculares cerebrais, e depois de uma quantidade suficiente do tecido cerebral ser destruída, pode ocorrer o desenvolvimento de demência. Desta forma, a demência vascular pode se desenvolver antes que os acidentes vasculares cerebrais causem sintomas graves ou, por vezes, até mesmo quaisquer sintomas perceptíveis.

A demência vascular inclui o seguinte, os quais podem se sobrepor de alguma forma:

Demência de multi-infarto: A demência é causada por vários acidentes vasculares cerebrais, geralmente envolvendo vasos sanguíneos de médio porte.
Doença lacunar: Por vezes, esse termo é utilizado para descrever a demência de multi-infarto causada por muitos infartos lacunares, que são acidentes vasculares cerebrais causados por bloqueios nos pequenos vasos sanguíneos.
Demência de Binswanger: Diversos vasos sanguíneos pequenos são bloqueados (infartos lacunares) em pessoas que têm pressão sanguínea alta muito mal controlada e uma doença de vaso sanguíneo (vascular) que afeta os vasos sanguíneos em todo o corpo.
Demência estratégica de infarto único: É destruída uma única área do tecido cerebral em uma área crucial.
A demência vascular ocorre frequentemente com a doença de Alzheimer (como demência mista).
Sintomas
Ao contrário da demência causada pela doença de Alzheimer, a demência vascular pode progredir em etapas. Os sintomas podem se agravar de forma súbita, em seguida, estagnar ou diminuir um pouco. Podem então piorar meses ou anos mais tarde, quando ocorre um outro acidente vascular cerebral. A demência que resulta de muitos pequenos acidentes vasculares cerebrais geralmente progride mais lentamente do que aquela devido a alguns acidentes vasculares cerebrais grandes. Os pequenos acidentes vasculares cerebrais podem ser tão sutis que a demência pode parecer se desenvolver gradualmente e de forma contínua, em vez de ocorrer em etapas.

Os sintomas de demência vascular (perda de memória, dificuldade de planejamento e iniciar ações ou tarefas, raciocínio lento, e uma tendência a vagar) são semelhantes aos de outras demências. No entanto, em comparação com a doença de Alzheimer, a demência vascular tende a causar perda de memória mais tarde e afetar menos o julgamento e a personalidade. A demência vascular tende a causar dificuldade de planejar e iniciar ações mais precocemente do que a doença de Alzheimer. O raciocínio pode ficar perceptivelmente lento.

Os sintomas podem variar dependendo de qual parte do cérebro está destruída. Normalmente, alguns aspectos das funções mentais não são prejudicados, pois os acidentes vasculares cerebrais destroem o tecido em apenas uma parte do cérebro. Assim, as pessoas podem ser mais conscientes de suas perdas e mais propensas à depressão do que as pessoas com outros tipos de demência.
Conforme ocorrem mais acidentes vasculares cerebrais e a demência progride, as pessoas podem ter outros sintomas devido a esses acidentes vasculares cerebrais. Um braço ou uma perna pode ficar fraco ou paralisado. Algumas pessoas podem ter dificuldade para falar. Por exemplo, podem falar de forma indistinta. A visão pode ficar embaçada ou pode ser perdida de forma parcial ou completa. Pode ocorrer a perda da coordenação, tornando o andar instável. As pessoas podem rir ou chorar de forma inadequada. As pessoas podem ter dificuldade em controlar a função da bexiga, resultando em incontinência urinária.

Cerca de 6 em cada 10 pessoas morrem dentro de 5 anos após o início dos sintomas. Muitas vezes é devido a um acidente vascular cerebral ou ataque cardíaco.
Diagnóstico
Uma avaliação de um médico para demência
Tomografia computadorizada ou imagem por ressonância magnética
O diagnóstico da demência vascular é semelhante ao de outras formas de demência.

Os médicos devem determinar se uma pessoa apresenta demência e, se for o caso, se é uma demência vascular.

Diagnóstico de demência
O diagnóstico de demência é baseado no seguinte:

Sintomas, que são identificados ao perguntar à pessoa e seus familiares ou outros cuidadores
Resultados de um exame físico
Resultados do teste de estado mental
Resultados de testes adicionais, como tomografia computadorizada (TC) ou imagem por ressonância magnética (RM)
Testes de estado mental, consistindo de simples questões e tarefas, ajudam os médicos a determinar se as pessoas apresentam demência.

Algumas vezes, mais detalhes para os testes (chamados testes neuropsicológicos) são necessários. Esses exames cobrem todas as funções mentais principais, incluindo o estado de ânimo, e a sua realização dura de 1 a 3 horas. Esse teste ajuda os médicos a distinguir a demência de outras condições que podem causar sintomas semelhantes, tais como desgaste da memória associado à idade, do transtorno cognitivo leve e da depressão.

Informações das fontes acima ajudam os médicos a geralmente descartar delirium como a causa dos sintomas ( Comparação entre delirium e demência). Fazer isso é essencial, pois o delirium, diferente da demência, pode frequentemente ser revertido se for tratado rapidamente.

Diagnóstico de demência vascular
Uma vez que a demência é diagnosticada, os médicos suspeitam da demência vascular em pessoas que apresentam fatores de risco ou sintomas de um acidente vascular cerebral. Os médicos, então, fazem uma avaliação completa para verificar se ocorreu um acidente vascular cerebral. TC ou RM são realizadas para verificar evidências de acidente vascular cerebral. Os resultados desses testes podem apoiar o diagnóstico, mas não são definitivos.

Tratamento
Medidas de segurança e apoio
Controle das condições que aumentam os riscos
O tratamento de demência vascular envolve medidas gerais para fornecer segurança e apoio, assim como para todas as demências.

Medidas de segurança e apoio
Criar um ambiente seguro e de apoio pode ser muito útil ( Criação de um ambiente benéfico para as pessoas com demência).

Geralmente, o ambiente deve ser iluminado, alegre, seguro, e estável e projetado de tal forma que ajude com a orientação. Alguns estímulos, como rádio ou televisão, são úteis, mas estímulos excessivos devem ser evitados.

A estrutura e a rotina ajudam as pessoas com demência vascular a ficarem orientadas e obter uma sensação de segurança e estabilidade. Qualquer alteração no ambiente, rotinas ou cuidadores deve ser explicada para as pessoas de forma clara e simples.

Seguir uma rotina diária de tarefas como tomar banho, comer e dormir ajuda as pessoas com demência vascular a lembrarem das coisas. Seguir uma rotina regular na hora de dormir pode ajudá-las a dormir melhor.

Atividades programadas regularmente podem ajudar as pessoas a se sentirem independentes e necessárias, concentrando sua atenção em tarefas prazerosas ou úteis. Tais atividades devem incluir atividades físicas e mentais. As atividades devem ser divididas em pequenas partes ou simplificadas conforme ocorre a piora da demência.

Controle das condições que aumentam os riscos
O tratamento de doenças que aumentam o risco de demência vascular —cataporadiabetes, pressão sanguínea alta e dos níveis elevados de colesterol — podem ajudar a prevenir e retardar ou parar a progressão da demência vascular. Também é recomendado parar de fumar.

Para ajudar a evitar um futuro acidente vascular cerebral, os médicos recomendam medidas para controlar os fatores de risco para acidente vascular cerebral (pressão arterial elevada, diabetes, tabagismo, níveis elevados de colesterol, obesidade e inatividade).

Os médicos podem prescrever um medicamento que faz com que os coágulos fiquem menos propensos a se formarem, como a aspirina, ou se as pessoas apresentam fibrilação atrial ou uma doença que provoca coagulação excessiva, varfarina (um anticoagulante). Esses medicamentos ajudam a reduzir o risco de outro acidente vascular cerebral.

Medicamentos
Não há tratamento específico para a demência vascular. Por vezes são dados inibidores de colinesterase (como rivastigmina) e memantina — medicamentos utilizados para a doença de Alzheimer — pois algumas pessoas com demência vascular também têm a doença de Alzheimer.

A depressão, se houver, é tratada com antidepressivos.
Assuntos relacionados ao final da vida
Antes que as pessoas com demência vascular fiquem muito incapacitadas, devem ser tomadas decisões sobre os cuidados médicos e devem ser feitos acordos financeiros e legais. Estes acordos são chamados de instruções prévias. As pessoas devem nomear alguém que esteja legalmente autorizado a tomar decisões de tratamento em seu nome (intermediário para os cuidados com a saúde). Devem discutir seus desejos de cuidados de saúde com essa pessoa e seu médico. Essas questões são discutidas com todos os envolvidos muito antes da necessidade de tomada de decisão.

Conforme a demência vascular piora, o tratamento tende a ser dirigido para manter o conforto da pessoa em vez de tentar prolongar a vida.
Fonte: Merck Sharp & Dohme Corp

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui