CADÊ EU?

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Mal sabemos como tudo começou, mas não nos esquecemos quando o trem parou na estação da vida, e tivemos que entrar.
Me recordo de papai abanando a mão para mim, mamãe chorando na poltrona ao lado, e só fui entender esse bilhete após sentir que o brilho dos olhos de papai não eram mais os mesmos.
Creio que é assim que somos escolhidos, talvez , alguns pela sensibilidade ao sentirmos que havia mais alguém em nossas vidas e que a partir daquele dia, nossas vidas nunca mais seriam as mesmas.
Meus irmãos desceram na próxima estação e ali ficamos, eu papai e mamãe perdidos, tentando se encontrar em alguma parte dessa estória narrada por 1 sujeito chamado Alzheimer.
Tentei olhar para trás e tive que sentir grandemente a perca do meu emprego de 15 anos, minha faculdade, meu apartamento…Minha independência, minha privacidade, minha vida…
Num mesmo dia, eu perdi tudo que havia conquistado durante anos de lutas…
Bom… São meus pais… Eu não poderia deixar mamãe sozinha em um momento como este…
Meus irmãos como prometeram deveriam vir nos visitar e tudo se acertaria.
Tem dez anos que eu estive nesta estação, tem dez anos que abri mão de tudo que eu tinha em prol dos meus pais, tem dez anos que fomos abandonados pelos meus irmãos.
meu pai chora, minha mãe chora junto… Meus irmãos, filhos deles, será que choram?
Eu nunca mais soube o que é me divertir, passear, ler um livro…
Perdi o encanto em algum canto em meio a este recanto que me deixaram…
Não sei mais quem eu sou, mas não esqueço de quem eu era…
E esse eu já não mais se encaixa na vida vivida agora.
Ando há anos a procura de mim mesma, mesmo sabendo que nunca mais terei meus pais de volta…
Na realidade, sabe o que eu gostaria de saber?
Quem estará na próxima estação aguardando para cuidar de mim?
Autoria: Berna Almeida.

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